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25 de abril de 2017

Joia Rara

Marisa Convento é uma expert que eleva às contas de vidro ao patamar mais alto da joalheria.
O trabalho totalmente artesanal vai muito além da delicadeza da ourivesaria – e arremata boas doses da saga tribal para esmiuçar a beleza das peças produzidas no ateliê intimista e acolhedor, que faz às vezes de bunker em meio ao centro pulsante da “Cidade Flutuante”. O vidro veneziano usado como matéria-prima é similar aos adornos encontrados em aldeias do Quênia, no Novo México e na Ilha de Bornéu, locais onde os colonizadores e os missionários europeus cravaram os pés séculos atrás – usando as pedrarias coloridas como moeda de troca.

Extasiada por essas narrativas, Marisa recuperou itens originais daqueles tempos em antiquários, e dedicou décadas a estudá-los. Há apenas dez anos, ela se lançou na aventura de abrir a própria loja e reprojetar os objetos do passado com um perfume contemporâneo, de estética singular. Quem aporta por ali, tem a chance de conhecer capítulos encantadores da época dos desbravadores descritos por uma personagem incrível, que por si só, faz a visita valer à pena.

Entre as suas criações cintilantes – quase sempre pontuadas por pingentes de formas orgânicas emprestadas dos corais –, e os livros recheados de curiosidades, a apoteose fica por conta da recepção supercarinhosa pilotada pela anfitriã. “Receber os visitantes no meu espaço deu-me força para continuar adiante. Num mundo que considera como bem-sucedido apenas àqueles que são capazes de produzir riqueza, o meu sucesso é poder manter viva uma parte da tradição da civilização da Sereníssima, a Rainha dos Mares!”, diz.

Fonte: Harper’s Bazaar